segunda-feira, 29 de junho de 2009

10ª Corrida das Festas da Cidade do Porto

Atrás da máquina, estava "escondido" o meu amigo Margarido. Reconheci-o

Já no regresso




(fotos de Joaquim Margarido)

Um dia, fez agora 4 anos, houve alguém que me contactou pelo telefone, dizendo que, no âmbito do programa da Corrida das Festas da Cidade do Porto, iria promover um debate a que foi dado o nome de “Falar de Atletismo”, convidando-me para apresentar um tema! Ao mesmo tempo que me senti bastante satisfeito pelo convite, senti-me também assustado, pois pelos meus 30 anos de carreira de corredor de pelotão, tão comum e anónimo como qualquer outro, nunca poderia eu vir a esperar tão honroso convite. Iria eu falar de quê? A que propósito? Eu que não tenho formação técnica para abordar a modalidade; eu que não tenho informação sobre os novos valores que vão despontando para o atletismo; eu que apenas gosto da corrida enquanto prática saudável de exercício físico… iria falar de quê? Certamente estariam a convidar-me tomando-me por quem não era e o resultado poderia ser desastroso, pensei eu.
Tal convite estava-me a ser dirigido por Jorge Teixeira, que de mim apenas conhecia alguns textos colocados na net. Falar de quê? Era a pergunta que me martelava o pensamento face à insistência convicta do Jorge, em integrar uma mesa composta por entidades – essas sim, conhecedoras da modalidade.
Deixei-me convencer. Afinal, 30 anos de entrega a uma modalidade, ainda que numa perspectiva de quase não competição; em que se participa nas provas sem a preocupação das lutas que se passam lá na frente; em que o grande prémio está em tomar parte do “cenário” em que se desenrolam as corridas… se fosse para falar disto, talvez conseguisse dizer alguma coisa, ainda que não passassem de trivialidades.
O tema a abordar era “Que papel, que mensagem nos podem dar os últimos das corridas?” Gostei e acabei por aceitar.
Obrigado amigo Jorge por ter acreditado em mim.
Se descobrir onde tenho o texto que fiz para o efeito, hei-de relembrá-lo aqui.

Falei nisto porque foi a partir dessa altura que conheci a Corrida das Festas da Cidade do Porto, uma das melhores Corridas do País. 15 Km que serão “engolidos” pela Maratona do Porto e com que se pode “ensaiar” o seu percurso, “cheirando” os 42,195, que proporcionam um prazer quase a triplicar. Correr na margem direita do Douro (na Maratona, também se corre pela esquerda) e na Foz, permite-nos praticar o desporto que gostamos em paisagens de rara beleza. (Que “inveja” me fazem aqueles que ali podem treinar diariamente!).

A Prova. Pus-me na conversa com antigos atletas (Elísio Rios e João da Benta) e, quando dei por mim estava na hora da partida. Nem fiz aquecimento nenhum, pois era tempo de nos posicionar-mos. Encontrei aí o Miguel Paiva ao lado dos grandes craques-homens e das grandes craques-senhoras. O desejo de uma boa prova e… em marcha estava a 10ª Corrida Edp Gás Festas da Cidade.
Quando se parte na frente, somos impelidos a correr rápido, como que “disparados” para não causar atropelos aos mais velozes e, à medida que vamos tomando consciência de que não temos “pedalada” para aquilo, vamos encostando e procurando um ritmo mais ao jeito. Assim foi. Depois de um primeiro km em 4,00’ tinha de abrandar, pois sabia que não deveria apontar para um tempo muito inferior a 1,10H. Passo aos 5km com 22,15, com a consciência de que nos 2/3 que faltavam, o andamento iria sofrer alguma quebra. Retorno, 10Km : 45,30 ! Final,15Km 1,08,20. Nada mau.
Durante a corrida, tive a satisfação de rever o grande amigo Joaquim Margarido, que me brindou com algumas fotos, de me cruzar com o José Capela e com o José Alberto . Nos últimos 4km fui alcançado pelo João Meixedo ( finalmente, deu para trocarmos algumas palavras -poucas! e de ter partilhado consigo os últimos 3 ou 4km ).

Enquanto grande festa desportiva não ouvi qualquer crítica ao evento (críticas negativas, bem entendido, pois positivas foram todas), que, como se sabe, está a cargo de uma organização que tem a “máquina muito bem oleada”. Os problemas que vim a saber terem existido só aconteceram nas classificações dos veteranos. Lastimo que continue a haver pessoas que, por negligência certamente, utilizem dorsais de outros atletas (veteranos) e terminem a prova nos lugares premiados. É que, mesmo que não tencionem levantar o prémio, colocam a organização perante um problema complicado, em termos de classificações. Enquanto houver falta de ética da parte de certos “atletas”, não pode esperar-se que uma organização, por mais competente que seja, apresente resultados perfeitos. Pelas mesmas razões, a tendência acabará por ser a extinção dos prémios para veteranos (que também é injusta) ou, pelo menos, que estes deixem de poder usufruir da cerimónia do pódium, contentando-se com uma classificação provisória por um período que possibilite o esclarecimento de todos os equívocos e só depois receberem os prémios legitimamente conquistados.
O que pode parecer um gesto banal ( e até solidário) para um atleta que dá o dorsal de um amigo que não veio, pode ser uma fonte de problemas para a organização e de injustiça para os outros atletas. Em suma, o que se precisa é que cada um cumpra o seu papel no sucesso das provas.

Gostaria ainda de realçar que também as camadas jovens foram contempladas na tarde de sábado, com diversas corridas por escalões, na “EDP Gás Mini Campeões” onde muita miudagem praticou a corrida e se habilitou às várias bicicletas sorteadas.

Uma palavra ainda para a inclusão na Corrida principal (e pela primeira vez) da categoria de “Cadeira de Rodas” para quem, infelizmente, o troço de empedrado, trouxe dificuldades acrescidas.

De parabéns está, mais uma vez, a RunPorto.com por mais esta excelente jornada de atletismo na Invicta.

9 comentários:

joaquim adelino disse...

Olá amigo Fernando.
Como sempre a trazer-nos bonitas histórias, pudera, com tantos anos de experiência decerto há muito a contar.
Parabéns por mais uma jornada passada "fora" de portas onde ouve oportunidade de encontrar e rever tantos amigos. A marca alcançada também foi muito boa, a demonstrar que o pesadêlo de Madrid já faz parte do passado e da história.
Um abraço.

luis mota disse...

Olá Fernando!
Parabéns pela participação.
Tenho pena de não participar em mais provas no norte. Esta será uma das que quero vir a correr.
Votos de boas corridas,
Luís Mota

MPaiva disse...

Fernando,

Parabéns pelo relato e pelos comentários que partilho integralmente!

abraço
MPaiva

José Xavier disse...

Olá Fernando;

Fiquei com um gosto na boca, com a descricao da corrida, no cenário das margens do Douro. Maravilha!

Essa questão da utilizacão de dorsais de veteranos por atletas não têm ética e depois apresentam-se para receber um prémio, é mesmo falta de moral. É de condenar esse tipo de pessoas que se aproveitam de "ganhar" um prémio sem terem respeito pelo esforco atlético de outros.

Parabéns pela prova e pelo tempo da corrida.
Um abraco amigo

José Xavier - Holanda

Gustavo e Karla Botto disse...

Olá Fernando.
Parabéns pela corrida! Deve ser lindo mesmo correr por ai!
Esperamos um dia poder desfrutar desse paraiso que deve ser a Cidade do Porto.
Abraços!

Diego da Costa disse...

Parabéns pela prova e pelo excelente relato.

Abraços!!!

Mark Velhote disse...

Olá Fernando,

Visitar este blog é sempre um prazer tal a eloquência com que nos brinda!

Tive pena de não o poder conhecer pessoalmente, mas infelizmente a zona VIP tinha o acesso algo restrito e os stewards não brincavam na hora de afastar os "penetras"...

Fiquei igualmente orgulhoso pelas palavras que dedica a quem tem oportunidade de treinar neste magnífico cenário que são as marginais das cidades do Porto e Gaia.

Bons treinos
Abraço

MV

Rui Pena disse...

Boas Miguel,

Desejo-te que tenham acabado de vez os problemas físicos...

E boa preparação para a Maratona... lá estaremos...

Abraço,

Rui Pena

...tuttA... disse...

São relatos são todos cinematógraficos Fernando.
Gosto muito de lê-los.
E parabéns pelo excelente tempo na prova.
Grande abraço e ótimos treinos e competições pra vc.

---> tutta <---
ubiratã-pr.
www.correndocorridas.blogspot.com