terça-feira, 9 de novembro de 2010

7ª Maratona do Porto -A minha Prova

Mais uma foto (da Isabel)

A manhã deste Domingo, 7 de Novembro, o dia da 7ª Maratona do Porto, apresentou-se cinzenta e molhada. Caía uma “chuvinha molha-tolos” como que a dar razão a muitos que não conseguem compreender que força era aquela que concentrava ali tanta gente, disposta a correr uns ”intermináveis” 42 Km, esteja o tempo como estiver.


Ainda ninguém estava em acção, mas aquela meia hora passou-se “a correr”! O encontro breve com um amigo, com outro…e outro, e , muitos que sabia que estavam por ali, só em plena prova, quando nos cruzámos, tive o grande prazer de lhes enviar uma saudação. A foto da praxe com a malta da minha equipa, a ACB, que participava com 26 elementos na Maratona e encaminho-me para a zona da partida.

O camião guarda-roupa, esperava e, à medida que se aproximavam as 9h, ia tendo mais “clientela”. Os atletas vão tomando posição na zona que lhes está reservada. À frente saem os da Maratona, atrás os da Family Race ou, melhor dizendo, da Corrida Convívio, na distância anunciada de 14 Km.

Pelo som ambiente, somos convidados a olhar o ecran gigante que nos mostra fantásticas imagens da edição anterior, acompanhadas de uma banda sonora daquelas que penetram no espírito de todos e faz com que cada um acredite mais naquilo que se propõe fazer. O speeker deseja uma boa prova a todos e é dado o tiro de partida.

Aquela breve inflexão do início do percurso, descendo do Palácio de Cristal e subindo a Júlio Dinis, repleta de gente, proporcionava uma panorâmica memorável, de uma multidão feliz, em movimento, compacta, determinada, colorida. Espectacular!

À passagem ao 1º Km, na Rotunda da Boavista, olho para o relógio, só para ter uma 1ª noção do andamento :zero(!), eheh. Afinal, só tinha “fingido” que carreguei no botão. Ligo agora, mas ficando a contar com 1 km a menos, “complica-me” as contas, já sei.

Começa a descida e a passagem pelo Estádio do Bessa. Alcanço o Cláudio (que arrancou rápido mas começava a ter preocupações com o ritmo), o retomar da Av. Da Boavista e a passagem pelo local da Meta, no Parque da Cidade. Chega-se ao pé de mim o José Brito, e ainda vou com ele alguns Kms e reparo que estava a andar a cerca de 4,40. Para quem queria passar à Meia com 1,45 é claro que ia rápido de mais (era a “estratégia do mealheiro” no seu esplendor): ou faria um grande tempo, ou estaria a “hipotecar” os meus recursos. Mas sentia-me confiante, pois tinha feito mais treinos longos que nas edições anteriores e isso fazia-me alimentar alguma esperança.

No 1º retorno, junto ao Edifício Transparente, vou atento à “concorrência”, não para fugir dela, mas para tomar consciência do meu posicionamento. É claro que, tendo eu partido na frente, a minha sina era ir sendo ultrapassado.

Por volta dos 10, chega-se o Vítor Veloso e o Filipe Fidalgo, quando eu já tinha pensado em deixar o Brito ir embora, pois sabia que não tinha pernas para ir com ele. O Vítor vai cheio de “pica” e olha para trás como que a convidar-nos - a mim e ao Filipe - a ir com ele. Ná! Vou bem assim e o Filipe, mais prudente, dado que esta era a sua 1ª experiência na distância, achou melhor ficar comigo. E… mesmo assim, continuávamos a andar a 4,45.

Ponte D. Luís. Conseguimos passar antes que os quenianos entrassem na ponte. O Paulo Gomes seguia-lhes na peugada. Era grande o intervalo entre os atletas que se lhes seguiam. A caminho da Afurada, acompanhado das suas meninas, lá estava a aplaudir-nos, por fora, quem costuma estar bem por dentro da Corrida e que ali mesmo, há dois anos atrás, se tinha tornado maratonista. Obrigado pelo incentivo, António, mas teria sido bem melhor se ali, ao nosso lado, mais à frente ou mais atrás, estivesse a fazer parte do “desfile”. Mas é uma decisão que respeito.

O retorno e a metade do percurso estava feita : 1,38 ! Sorri de escárnio para o Filipe e torço o nariz de desconfiança, dizendo que “agora é que vai começar a Prova”! Ainda vamos bem, cruzando com a malta conhecida que vem em sentido contrário. À saída da Ponte (25Km) começa a parte mais monótona do percurso até ao retorno dos 28,5km. Decido abrandar ligeiramente, para procurar retardar o “estouro”. O Filipe alinha. Vemos que vai aumentando a distância em relação aos que iam à nossa frente, mas encurtando em relação a quem vem atrás. Virámos. Agora era sempre em frente até aos 40 e picos. De repente, e sem que tivéssemos dado por isso, vemos que o Ricardo Batista, já nos tinha ultrapassado, levando uma vantagem de uns 30m. Passa também o Miguel Paiva, que ia num bom ritmo. À passagem do túnel (31km) noto que o Filipe estava a travar por minha causa, ao mesmo tempo que somos passados pela Margarida Pinto, maratonista de grande experiência, e recomendei ao Filipe que a seguisse, pois ela tinha um andamento bastante regular. Agradeceu a sugestão e assim fez .

32Km. “Dor-de-burro” à direita! Não vinha nada a calhar. Tive mesmo de abrandar à espera que passasse, mas quem passava eram os atletas que vinham atrás. “Arrastei-me” sem, no entanto, sucumbir à tentação de me pôr a passo, até aos 35Km. A dor abrandou, mas o ritmo tinha-se ido embora e não conseguia retomá-lo. 38Km, volto a passar pelo Miguel, que estava a correr ainda mais lento que eu e não reagiu. Algo se estava a passar, mas pensei que fosse passageiro. Vim a saber, depois, que ele tinha abandonado a prova pouco depois. Nestas alturas, confesso, que o sentido de entreajuda anda “um bocadinho por baixo”, pois “andamos todos ao mesmo”. É quase como tentar ir salvar alguém do rio e… não saber nadar. Desculpa Miguel.
Passo também pelo meu colega de equipa, Paulo Torrão, que, mais uma vez foi traído pelas caimbras e pelo Ricardo Plaza (que pretendia fazer 3h e tinha dado um estoiro monumental) , que também vinha a passo e grito-lhe: -Então, Ricardo !?"-Estou muerto!" - disse-me ele.
Rotunda do Castelo do Queijo: Estou eu a contorná-la e vejo levantar-se do lancil um corredor. Era o Filipe! Tinha feito uma pausa para "trabalho de ginásio” a fazer alongamentos para ver se se livrava das caimbras que o tinham apoquentado e impedido de seguir o ritmo da Margarida. Andou uns metros comigo mas as malvadas obrigaram-no a caminhar.

Retorno de Matosinhos: vejo a aproximação de alguns que antes estavam longe e ganho um novo fôlego.

Início da última subida. A orquestra começa a tocar “Os filhos do dragão”. Apesar de benfiquista (podia passar sem dizê-lo, numa altura destas, mas enfim) aquela música deu-me o último estímulo para subir aquele quilómetro e meio. Uma ligeira lomba e lá se vê o pórtico dos 42. Acho que levava um bom ritmo, pois passei muita gente por ali acima. O público, que aplaudia, formava uma estreita e acolhedora passagem junto ao pórtico, a partir do qual estavam instaladas as vedações da zona de chegada. A curva para a esquerda, a passadeira vermelha, mais aplausos. Um gesto de saudação e de agradecimento e o olhar para o relógio lá em cima. 3,34,40! Falhei as 3,30, mas fiquei contente na mesma. E vão 38 !


…ainda quero voltar ao assunto, num próximo texto, que este já está longo de mais.

12 comentários:

Jorge Branco disse...

Caro amigo Fernando Andrade para comentar este texto (abaixo o post!) e toda a sua carreira desportiva só me vem a memoria aquele anuncio antigo da regisconta (passe a publicidade mas já nem deve existir): AQUELAAAAAAAAAAAAA MAQUINA!

BritoRunner disse...

Mais um belo relato Fernando, quem me dera saber escrever assim.

Parabéns por seres totalista da Maratona do Porto e por teres completado a tua 38ª Maratona.

Nota: Afinal a teoria do porquinho comigo resultou, apenas uma quebra de 3 minutos na 2ª meia.

Vitor Veloso disse...

Olá Fernando
Bem que tentei persuadi-los mas vocês não se deixaram levar.
O que importa e chegar ao fim, bem fisicamente.
O Fernando fez uma brilhante maratona, foi um bom padrinho com concelhos e incentivo.
Grande abraço
Vitor

António Almeida disse...

Companheiro
parabéns por mais uma e pelo conjunto das 38 com uma regularidade impressionante, mestre é mestre.
Abraço.

Mark Velhote disse...

Viva Fernando,

Como sempre o verdadeiro mestre da prosa (e do verso)! Parabéns pela 38ª!!
Força para as 50 que não estão assim tão longe!! eheh

Para mim infelizmente o dorsal "1385" resultou numa grande pázada da padeira de Aljubarrota, mas "o que não nos mata torna-nos mais fortes" (passe o cliché).

Aquele abraço
Mark

Ricardo Baptista disse...

Grande Fernando,
Parabéns pelo relato, pela maratona e pelo impressionante número de maratonas já feitas.
E isto de não dar conta das ultrapassagens tem a ver com a quilometragem, às vezes nem damos conta de que estamos a correr. Olhamos para baixo e as nossas pernas parecem que vão ali a mexer sozinhas.
Espero que chegue às 50 com este andamento.
Um abraço.

José Alberto disse...

Olá Fernando,

Mais uma maratona concluída com sucesso.

Espero que continue a "somar" maratonas e que nos encontremos em algumas (esta parte é mais por mim, que estou incerto, do que pelo Fernando, que está seguro...).

Um grande abraço.

José Alberto

Luis Parro disse...

Amigo Fernando,
Não é mais UMA qualquer, é a Maratona do Porto. Tempo final ao nível do Atleta!
Até Lisboa,
Abraço
Luis Parro

Flechinhas disse...

Olá Fernando
Apenas fui dar o meu apoio a toda a gente, já que tinha feito a Maratona de Atenas no Domingo anterior, mas vi realmente muita gente a passar mal nesta prova e a hipotecar os resultados que tanto ambicionavam. Contudo penso que toda a gente está de parabéns e tu em particular com essa 38.ª Maratona, digno de um grande Atleta e não ao alcance de todos.
Parabéns
Duarte Silva

sica disse...

Um mestre a gerir a corrida é caso para dizer "são muitos anos a virar frangos" :-).
Mais uma corrida mais uma viagem, 38 Maratonas é obra.

Maria Sem Frio Nem Casa disse...

Bem Fernando... obrigada por me ter "levado lá", ou seja, passo a explicar, como conheço bem o percurso e já vivi aquilo de outra forma que desta vez não me foi possível, e como conheço praticamente todos que menciona, ao ler a sua descrição... senti-me MESMO lá, a palmilhar aquelas ruas, a correr a Maratona do Porto, outra vez...

Beijinho Fenando

tutta disse...

Parabéns pela ótima participação na prova.
Agora, quanto essa "dor de burro", acaba com qualquer um, não é mesmo? rsrs
Mas, apesar disso, tu fizeste uma bela prova.

Abraço.


tutta/ubiratã-pr
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