quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

26ª Maratona de Lisboa

A gloriosa ACB
à chegada ao estádio (foto Paulo Pires)

A consagração (foto Zé Sousa)

O orgulho de mais uma
Está mais que na altura de dizer qualquer coisa sobre a 26ª Maratona de Lisboa, por pouco que seja, pois a minha paixão pela distância, assim o exige.
Notaram-se significativas melhoras em relação ao ano anterior, mesmo sem falar dos eventos que se realizaram na véspera e se integravam na “Festa da Maratona de Lisboa”, nomeadamente na Caminhada do Pequeno Almoço (a que não assisti) e no Simpósium “Corrida no Século XXI” (a que assisti e gostei, embora tenha tido uma assistência bem mais reduzida do que, de facto, os temas em debate mereciam). Mas, adiante: a Feira estava bem composta e havia diversidade de expositores ligados à modalidade. Achei, no entanto, pobre a sinalética para o local do Secretariado (Estádio 1º de Maio). Apenas umas faixas publicitárias da Seaside, junto às cancelas, faziam adivinhar que algo se passaria no interior. Era giro que houvesse ali, à entrada, um outdoor apelativo, informando que era ali o local onde se desenrolavam as operações. Mas no dia da Prova já lá estava e bem. Gostei também de ter sido melhor organizada a partida, pois em 2010, nem pórtico havia.

Foi usado também um novo sistema de chip descartável da brasileira Chip Timing que, ao que parece, funcionou bem, tendo sido apurados para cada atleta, o tempo oficial e o tempo de chip. Reparei, no entanto, ao contrário do que é habitual, que as classificações são ordenadas em função do tempo de chip. Concordo com esta solução, mas não deixo de concordar com a outra. Por mim, está tudo bem.

Depois da foto de família com o pessoal da gloriosa ACB (que, desta vez, apostou mais forte nas estafetas, tendo conquistado o 1ª lugar das equipas femininas –Parabéns para as nossas ilustres atletas), cada um foi à sua vida, fazer os preparativos que entendesse, para enfrentar, com confiança, o desafio que aí vinha. Sem stresses, ainda fui tomar um cafezinho e, quando dei por mim, faltavam 10 minutos para a partida. Já o pessoal estava posicionado atrás do pórtico e eu ainda a tirar o fato de treino, pôr o dorsal e o chip. Encaminho-me para o local e dois ou três minutos depois soa o tiro.

A ideia era seguir uma estratégia semelhante à que usei no Porto : sem relógio, sem pressão, correndo ao sabor da vontade e da resposta do corpo. Andei com o marcador das 3,30 na Gago Coutinho, mas sabia que devia manter a calma e, no Areeiro, já ele ia uns 30m à frente. Passam uns amigos do PortoRunners (Pedro Amorim, Luis Pires, João Oliveira) num grupo em que ia também o Álvaro Pinto, mas aquilo era muito para mim. Deixa-os ir…! Já lá para as Telheiras, aproximou-se o meu colega de equipa e amigo, Virgílio Madeira e mantivemo-nos com o marcador ainda à vista até aos 15Km. Também o “Tigre”, que se tinha deixado levar pelo ritmo das 3,30, começava a “acender a luz do óleo” e passámos por ele. Às tantas, tivemos uma “visão” : uma jovem nórdica (digo nórdica, porque era loura e usava umas trancinhas vikings) despudoradamente, agacha-se atrás do rail, rabiosque ao léu virado para quem vinha de trás e aliviou ali mesmo, as “águas” que a incomodavam, na maior das descontracções, sem reparar tão pouco que tinha escolhido um verdadeiro “palco” permitindo àquela “plateia” que se aproximava,” arregalar” a vista sem ter que forçar o pescoço. Ainda à nossa frente, compõe-se, retoma o ritmo e “desapareceu” da nossa vista.

Mantive-me com o Virgílio até à Fontes Pereira de Melo, quando reparei que ele tinha ficado para trás. Sigo depois em solitário. Na Praça do Comércio, passa o José Carlos Pereira. Ia bem e continuou a ganhar vantagem. Meia Maratona. Não sei quanto tempo levava, mas, pouco depois, começo a notar sinais de pessoal que tinha partido dali há pouco tempo. Olha o Zé Carlos Jorge! Depois começo a cruzar-me com os que vinham do Dafundo, onde era o retorno aos 28km. Lá vinha o Luís Mota, o Desidério e tantos outros. É verdade que dá algum ânimo cruzarmo-nos com gente conhecida, uns da Maratona, outros da Meia, outros da Estafeta, mas dá mais ânimo ainda quando nos cruzamos, mas já somos nós a vir de lá. Os abastecimentos para mim eram apenas água e isotónico. Os sólidos não me atraem. Andei sempre com uma garrafa na mão, trocando-a em cada abastecimento. Não pesa muito e assim, refresco-me quando me apetecer e não quando a Organização acha que me apetece. Há coisas em que posso mostrar alguma “autoridade”,eheheh.

Praça do Comércio.35Km, Chega-se a mim o Alex, que vinha em bom ritmo. Disse-lhe para seguir mas ele fez questão de me acompanhar, abrandando o passo. Aí, eu estava a entrar naquela fase de “relaxaria” com a desculpa de me estar a poupar para subir a Almirante Reis. A tentar iludir-me. Mas o Alex ficou comigo, sacrificando a seu tempo e tendo o bom senso de não me pressionar minimamente com aquela do “bora”, “consegues mais um bocadinho”, “não te deixes ir abaixo”, coisas que, como sabemos, são ditas com a melhor das intenções mas têm um efeito retrógrado. Essas “bocas de ânimo” – e eu tenho-as usado – são para quando passo por alguém que quero deixar para trás. Não. O Alex manteve-se ali, sereno, recordando até que no ano passado se tinha posto a andar naquela interminável subida. Às tantas, até achei que estava a reagir bem e ganhámos algumas posições. No Areeiro, a missão do Alex estava feita e “dei-lhe ordem” para se ir embora. Obrigadão Alex, sem essa ajuda teria que somar uns minutitos ao tempo final. A coisa estava por 2 Km .Em pouco tempo estava a entrar no estádio que, em vez do habitual relvado verdinho, estava cheio de montões de terra, devido a obras de substituição da relva. Lá estava o pórtico: 3,41,40.

Sentei-me um bocadinho. As náuseas não vieram, sinal de que não exagerei. Depois, dão-me o saco seaside, com uma t-shirt de “finalizador” – boa ideia- água, maçã, barra energética. Do outro lado, o chazinho quente e a medalha ao pescoço. Atento o Zé Sousa, ia fotografando os amigos nesse momento de glória. Estava feita mais uma Maratona, a minha 9ª consecutiva em Lisboa (de 11) e a 43ª das Maratonas de Estrada e a 52ª se juntar as ultras.

E não se riam se eu vos disser que “ganhei” todas.

14 comentários:

JoaoLima disse...

Eu não me rio nada pois concordo mesmo que foram 52 grandes vitórias e um enorme exemplo para todos nós.

MUITOS PARABÉNS POR MAIS ESTA, amigo Fernando

PS - Ri-me foi da história da viking!

Jorge Branco disse...

Fernando pode protestar mas é um dos meus heróis! Um exemplo como corredor de fundo e como cidadão! PARABÉNS!

Novais disse...

Todas as maratonas que se termine são uma vitória, por isso acredito que foram todas ganhas.
Um abraço Fernando

lima-recordar-atletismo disse...

ser cidadao da corrida ja e muinto bom fazer essas provas todas es um campeao um grande abraço lima -paços de ferreira vou tentar para o ano ir a lisboa fazer essa maratona bom natal

Fernando Andrade. disse...

Obrigado João.
Hãããã... e o bumbunzinho da nórdica!? espectáculo!

Obrigado Jorge
Mas olhe que eu não quero ser exemplo para ninguém. Isso é uma gande responsabilidade. Tomara eu dar conta de mim, fazendo (ou não) asneiras que só a mim afectarão.
Quem me "seguir" já sabe que está... sujeito.


Grande Novais. É isso mesmo: terminar a maratona é ganhá-la!
Bem... nós temos de "arranjar a coisa" dada a impossibilidade de chegar na frente,eheh.

Obrigado Lima, quer pelas felicitações, quer pela visita ao cidadão. Bem vindo.

Grande abraço a todos.

Luis Matos Ferreira disse...

Como sempre, uma excelente prosa, Fernando.
43 Maratonas de Estrada é obra! Espero ainda conseguir lá chegar um dia.
Parabéns e um abraço.

Fernando Andrade. disse...

Muito obrigado Luis
Mas o que é que são 43 maratonas feitas a passear quando comparadas com as que faz em 3h e menos!?
De qualquer forma, a esmagadora maioria delas foram feitas depois de eu ter entrado na "ternura" dos 40. O objectivo, agora é como na Multiópticas: atingir o número de maratonas "igual à idade",eheh. Já vi que tenho que ir ao estrangeiro, porque se só contar com as que cá se fazem, vou ter de durar até aos 100, eheheh.
Grande abraço.
FA

JH disse...

Grand'a Fernando,

Lá vai mais uma. Se ganhastes? Cada um que avalie, só quem cada anda sabe como é. Ainda na semana passada comentei depois de mais uma prova, que nao importa o que passe durante a mesma, terminamos todos sempre contentes, mesmo naquelas que correm mal.
Vejo-te se nao antes, em Monsanto.
Abraço
Joao

Fernando Andrade. disse...

Olha o João! Viva. Eu sabia que também és dos que "ganham" todas as corridas que fazes, pois é essa postura que nos faz andar contentes neste meio. Pois em Monsanto...lá estaremos mais uma vez. Mas vê lá se desta consegues ficar para o convívio. Grande abraço. FA

Maria Sem Frio Nem Casa disse...

Ah pois claro que as ganhou todas, Fernando! (a perder todas ando eu e outros que não as fazem).

Muitos Parabéns pela 43ª ! Venha a 44ª !

Um grande beijinho e até um dia destes numa corrida quaquer

Fernando Andrade. disse...

Olá Ana
Obrigado pela sempre agradável visita e pelas felicitações.Em 2012, Ana, quero vê-la numa Maratona.No Porto, se não puder ser antes. Prometido?
Beijinho.

tutta disse...

Prova sensacional Fernando.
Parabéns.

Quanto aos chips descartáveis, por aqui no Brasil eles são sucesso e funcionam muito bem. Nunca ouvi falar que deu algum problema.
Já em relação ao tempo: aqui são cronometrados os tempos brutos, que são desde o som da largada, mas a classificação é feita pelos tempos líquidos, que são aqueles depois que você cruza o pórtico e este é o correto, porque o percurso, por excemplo, de uma maratona, ou corrida qualquer, começa a partir do pórtico de largada até o pórtico de chegada.

Por exemplo: se você largar uns 100 metros atrás do "tal" pórtico, uma maratona não terá os tradicionais 42.195 metos, mas sim, 42.295 metros.
Certo? hehe

Abraço e sucesso a você.


tutta - BALEIAS/PR
www.correndocorridas.blogspot.com

Fernando Andrade. disse...

Olá Tutta. Obrigado pelas felicitações.
Pois o chip utilizado é da Chip Timing, que é brasileira.
Eu concordo com a classificação feita pelos tempos líquidos, mas faz-me uma certa confusão ter chegado a par com um companheiro e ele aparecer muito distante de mim na classificação. Mas percebo que é mais correcto assim.
Grande abraço.

Latxo disse...

Companheiro de estrada...simplesmente fabulosa a exposição da sua corrida...no meu caso, fiz pela primeira vez uma Meia-Maratona, tenho 59 anos e por causa de um dos meus filhos meti-me nesta coisa das corridas.
Como vc disse e bem, só o terminar foi excelente, senti uma imensa alegria quando entrei no estádio, mas o principal que retirei daquela 'maluqueira' foi o reaprender a ser mentalmente disciplinado, fazer a minha corrida sem intenções de competição com os outros, eu que sou um 'tremendão de um competitivo'.Competi contra a distância e contra a minha mente que andou sempre a fazer-me exigências de desistência, por não entender bem o que andava ali a fazer.
Estou pronto para outra, mas o objectivo para o ano de 2012, será acompanhá-lo numa maratona, mais lentinho é claro. Este será o próximo desafio.
Até uma próxima corrida