quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

G.P. FIM !

De Sintra

Até onde a Terra acaba...

Meus amigos, lamentavelmente, parece que não há nada a fazer.

Uma decisão política que não nos agrada mas que devemos respeitar. Afinal, tem sido dito repetidas vezes que, para nós, os que corremos, a Corrida é a mais importante das coisas secundárias. Para quem não corre será apenas uma coisa secundária. E se tivermos de nos pôr na pele de quem tem fortes restrições orçamentais, teremos de compreender que outras opções poderão afigurar-se prioritárias.

É verdade que foi ignorada a proposta da retirada total ou quase total dos custos (porque haverá uma imagem a defender e a provável desordem -principalmente no Cabo da Roca - iria afectá-la negativamente). Também a reformulação da prova por forma a torná-la menos dependente de complicada logística, não foi atempadamente estudada. E, por muito que nos custe, o futuro da prova deverá passar por aí.

É com a tristeza de quem conhece as origens deste Grande Prémio Fim da Europa e participou em 20 das 22 edições realizadas; de quem sempre disse que esta era a Prova mais bonita que Sintra poderia apresentar; de quem viu o brilho nos olhos daqueles que se sentiram orgulhosos por tê-la colocado num merecido lugar de honra, que vos trago a má nova de que as diligências se revelaram infrutíferas e se confirma o seu cancelamento.

Bem sei que não falta por aí gente disposta a fazer o percurso com ou sem o beneplácito da CMS. Também haverá quem o faça por protesto. Mas gostar de correr e gostar do local onde se corre é razão bastante para que ali nos concentremos a desfrutar da Corrida e a desfrutar daquela deslumbrante paisagem. Façamos deste gesto um tributo ao desporto pedestre e ao romantismo de Sintra. Sem rancores nem ressentimentos que criem crispações. Compreendamos que, a um homem do Desporto como é o Prof. Seara, também não terá sido fácil tomar uma decisão que penaliza o Atletismo sintrense.

Já todos ouviram falar na “dor fantasma dos amputados” em que o braço já lá não está, mas o doente sente dores horríveis na mão. Isto porque o membro “deixou” a sua representação no cérebro e essa continua lá, processando as sensações da mesma maneira.

Mal comparando, o cancelamento do GP Fim da Europa, resulta em algo idêntico: a prova não está lá, mas todos a sentem como se estivesse e querem aparecer em massa.

Mas também o caso pode ser visto ao contrário: a Prova continua mas a Câmara é que deixou de senti-la. Temporariamente, por certo.

8 comentários:

Carlos Lopes disse...

Pena minha e nossa

João Paulo Meixedo disse...

triste, muito triste, mesmo para quem nunca participou. Estava nos meus planos um dia, nunca soube quando, participar nessa prova. Muito ouvi e li já sobre ela. Esperemos que seja temporário.

Carlos Lopes disse...

Desejo um Feliz Natal e um ano de 2012 cheio de alegria

JoaoLima disse...

Custa a digerir!

Mas faço aqui um reconhecimento público ao Fernando e a todo o esforço que encetou para tentar salvar a prova.

Enquanto todos nós lamentávamos, ele actuou e tentou o tudo por tudo.
Não foi possível mas fica a consciência de ter dado o seu máximo.

Um grande abraço Fernando

Jorge Branco disse...

Pese embora só tenha podido fazer essa prova uma vez ela marcou-me muito.
Penso que o melhor contributo para que esta prova volte é a participação em massa de todos nós no dia em que a mesma se deveria realizar.
Como escreveu o Fernando, sem rancores mas com muita amor à corrida.
Quem quiser (poder) fazer o percurso ida e volte que o faça, quem quiser fazer só ida tudo bem mas mesmo que seja só para correr uns quilómetros naquele belo percurso vamos todos estar presentes!

Anónimo disse...

Daquelas em que só por motivo de força maior estou ausente.
A mais bela prova de Portugal!

PGomes disse...

Muito obrigado por todo os teus esforços, Fernando.

Lá estaremos para correr - isso ninguém nos pode tirar. Ida e volta - haja pernas.

Alexandre Duarte disse...

Sintra valia o teu esforço Fernando e por isso fica a certeza do dever cumprido. Reconheça-se a tentativa. O importante será agora preservar o espírito da prova e dos locais que ela atravessou. Estarei lá, em solitário ou em grupo, para reviver as sensações daquele local mágico que continua a ser Sintra.