terça-feira, 22 de junho de 2010

Mas as crianças, Senhor?!...

Contaram-me um episódio, que não resisto a partilhar convosco, pois entendo que é de grande importância, para a modalidade e para o desporto em geral, uma reflexão sobre o tema.
Era mais ou menos assim:

O miúdo tinha-se destacado de toda a concorrência e entra na recta da meta, para correr os últimos metros. Vai olhando para trás, controlando a distância sobre os seus adversários e vê que a vitória já não lhe escapará. Vibrando com os aplausos do público, num gesto instintivo, tira a camisola, ergue os braços e fixa com o olhar o céu e, feliz, termina a corrida.
Nesse instante, entram em cena os juízes da prova, asseverando que o rapaz não podia cortar a meta sem o dorsal visível e obrigam-no a vestir a camisola. Primeiro, precisou de saber o que pretendiam dele com tão inesperada recepção. Depois, então, cumpriu a ordem. Entretanto, outros chegam à meta e, quando chega a sua vez, fica em sétimo!
Obviamente, que o miúdo não se conteve, com tão severa punição e chorou.
Todos os adversários reconhecem que era ele o vencedor mas, inflexíveis, os juízes entenderam que os regulamentos eram para ser aplicados, mesmo sem queixa por parte dos que pudessem ter sido prejudicados com a infracção cometida.
Alguém, de experiência comprovada, aconselha o miúdo e vai com ele junto dos juízes, para pedir desculpa e justificar a sua atitude. Viram-lhe as costas e não o quiseram ouvir.
Mas o director da Prova, ouviu-o. E, sem questionar a soberania daqueles a quem tinha pago para ajuizar, não podia ficar indiferente, quando soube da explicação do gesto do miúdo e, emotivamente, premiou-o com uma oferta pessoal, de valor bem superior ao que estava em disputa. Afinal, não fora irreflectido o tal gesto: Tinha-lhe falecido a mãe há um mês atrás e aquela foi a forma que encontrou para lhe dedicar esta vitória.

5 comentários:

Vitor Veloso disse...

Olá amigo,
Obrigado por partilhares este episódio.
Por vezes há gestos irreflectidos, mas o director da prova esteve a altura, de premiar o "miúdo" que foi o prejudicado, bonito gesto.
Abraço
Vitor

MPaiva disse...

Uma história que poderia ter como título:
- Os burros, as regras e as obrigatórias excepções.

abraço
MPaiva

Ricardo Baptista disse...

este ano fiz um curso de juízes de atletismo. sou juiz estagiário.
se me contassem esta história o ano passado, não acreditava muito. agora sei que há juízes assim: não sabem a diferença de entendimento entre um benjamim e um sénior, a diferença de motivação entre um profissional e um amador. e isto é triste para os juízes mas ainda mais para a modalidade.
todos podemos errar, mas há limites...

Maria Sem Frio Nem Casa disse...

Oh Fernando... agora que decorre o Mundial... se calhar estava a dar algum jogo que o senhor queria ver...

É uma tristeza é o que é! Incentivo e motivação para agarrar os mais jovens, onde está?!

A propósito de Atletismo e de crianças... lembra-se disto Fernando:

http://ascronicasdaana.blogspot.com/

É assim a mentalidade que temos...

Gravíssimo é os que de alguma forma ligados à Modalidade, ajam da forma que esse senhor agiu. Se quem está na Modalidade, a trata assim... que dizer e esperar dos outros, das massas?

Esperamos que seja um caso isolado, uma infeliz história que não caracterize o tratamento dos Juízes para com a Modalidade.

Ana Pereira

Ricardo Hoffmann disse...

Beleza de história. Obrigado por compartilhar conosco.