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quarta-feira, 29 de maio de 2024

Meia Maratona do Douro Vinhateiro -2024

“O Doiro sublimado. O prodígio de uma paisagem que deixa de o ser à força de se desmedir. Não é um panorama que os olhos contemplam: é um excesso da natureza. Socalcos que são passadas de homens titânicos a subir as encostas, volumes, cores e modulações que nenhum escultor, pintor ou músico podem traduzir, horizontes dilatados para além dos limiares plausíveis da visão. Um universo virginal, como se tivesse acabado de nascer, e já eterno pela harmonia, pela serenidade, pelo silêncio que nem o rio se atreve a quebrar, ora a sumir-se furtivo por detrás dos montes, ora pasmado lá no fundo a reflectir o seu próprio assombro. Um poema geológico. A beleza absoluta.”  

 (Miguel Torga in “Diário XII”)

 Ao Mestre, que possuía o condão de pintar as paisagens com palavras, faltou-lhe imaginar que poderia tal cenário ser percorrido em simultâneo por milhares e milhares de almas, em esforço voluntário e contemplativo dos tais "socalcos que são passadas de homens titânicos a subir encostas", emprestando-lhe, agora, uma dimensão humana nunca dantes vista. Se Torga visse a Meia Maratona do Douro Vinhateiro, que nos contaria ele? Como faria ele o retrato escrito deste grande evento? 

Fui até lá. Há vários anos que pretendia testemunhar o que ouvia falar desta Meia Maratona. Desta vez calhou. 

Dia 1  - Com tempo, cheguei na 6ª Feira e deu para passear e deleitar-me com aquela envolvência encantadora da Régua e do Douro. Fui levantar o dorsal. Nem sabia onde era, mas bastou vestir uns calções, calçar umas sapatilhas e pôr-me a correr. Os trabalhos de montagem da Prova, estavam a decorrer a bom ritmo. Não faltaria quem me desse a informação que precisava. - Museu do Douro, aqui a 100m – disse-me o motorista da viatura que exibia o vídeo promocional da Prova. Entrei, segui as indicações e em poucos minutos tinha o dorsal e o respectivo kit, que incluía uma garrafa do “néctar” que ali se produz. Fui até ao terraço, para ver o rio e o cais, de um plano privilegiado. Eis que encontro o “culpado” disto tudo, Paulo Costa, que me deu as boas-vindas ao Douro. O telefone não parava e ele teve de ir à sua vida.


Jantei, com a minha mulher, no agradável espaço da Esplanada perto da meta, antes de recolher ao Hotel Columbano, percorrendo a avenida sobranceira ao rio. 

Dia 2  - Enquanto passeava, surpreendentemente, ouço o meu nome e alguém vem na minha direcção. Era o Francisco Cunha Cerca, que ainda não conhecia pessoalmente e que se mostrou de uma amabilidade extrema, para ajudar naquilo que fosse preciso. Obrigado Francisco. Depois de almoçar, fazer um curto cruzeiro, até ao Pinhão e voltar de comboio. 


Soberba a viagem, com que satisfiz uma velha curiosidade que tinha, sobre a forma como as embarcações subiam a Barragem de Bagaúste. Foi muito interessante. 



E era também daqui que, no dia seguinte, seria dado o tiro de partida da Meia Maratona. O regresso foi feito de comboio, numa viagem menos sossegada, pois junto a nós havia um grupo que não parava de falar alto, rindo efusivamente por tudo e por nada, num sinal de que tinham sido pouco contidos no beber. À chegada, foi agarrar no carro e rumar ao AL Sonhos Douro,


onde tínhamos conseguido a reserva, mas que ficava um pouco fora da Régua. 

Dia 3/Dia D - Pequeno-almoço às 6,00H e quando eram 6;45h estava estacionado a 100m da meta, o que me deixou aliviado. A temperatura estava agradável pelo que podia ir já equipado. Agora, era ir andando, seguindo a enorme fila de autocarros estacionados que haveriam de levar os atletas até à Barragem. E assim cheguei à Estação. Anunciavam que o comboio, que também transportaria atletas, sairia às 7,30H. Optei por ir de autocarro. Logo nos dois primeiros. Não reparei no tempo que demorou, mas deviam ter sido 10 ou 15 minutos. 



Apeámo-nos e caminhámos uns 400m até à barragem. Agora era esperar uma hora e qualquer coisa. Não conhecia ninguém. Tirei umas fotos e achei melhor sentar-me no chão encostado à vedação e … esperar. Faltavam 20 minutos. Levantei-me e ouço o meu nome . Era o Jorge Paulino, de Mafra, amigo da velha guarda, que ia fazer a prova muito à cautela, pois tem uma lesão que não lhe permite grandes voos.


 O tempo, assim, passou mais depressa. Estávamos na box D. Com o ruído que sempre existe, não percebíamos bem o que era dito lá na frente, mas, de certeza, seriam votos de boa prova a todos e que disfrutássemos da beleza do percurso. Tiro da partida. Antes já tinham saído as cadeiras de rodas. Viragem quase imediata à esquerda, em sentido contrário ao da corrente do rio. Descia-se. Em sentido contrário vinham muitos caminheiros na berma, que se iriam juntar aos que estavam na barragem. De repente, uma voz atrás de mim, dizia-me :”não digas nada, não digas nada” e estava a gravar um vídeo. Era o meu amigo José Sousa), que está em todas, espalhando o seu humor e amizade nas muitas provas em que participa. Dizia-me que não tem corrido nada e que “ia ver o que é que dava”. E deu-lhe bem, pois rapidamente desapareceu, deixando-me “pregado” no meu ritmo bem mais moderado. Continuamos a descer. 

Cruzei-me com os da frente, quando eles vinham aos 10 Km. Olha o Pedro Vicente, com o seu estilo inconfundível, que se reconhece à distância. “Guive me five”. Só aos 8 era o retorno. A temperatura não aqueceu tanto quanto se receava mas, à cautela, havia água quase de 2 em 2 Km. Faço o retorno. Os Bombeiros iam fazendo chuveirinho para quem quisesse. Estranhamente, fico com a sensação que, para cá, também era a descer (!) e vim a matutar naquilo. Ou eu vinha a subir e não dei por isso. Só por volta dos 14km, já nas proximidades da Barragem é que notei uma leve subida. A partir da Barragem foi sempre a descer. À saída da ponte, aos 20 km, outra voz que me saudou e que me era familiar. Era a Cecília Nicolau, das Lebres do Sado. Não tive pernas para ela e mantive-me, tranquilamente, no meu andamento.


Último quilómetro repleto de público a aplaudir e lá está a passadeira colorida que nos enleva para a Meta. De um lado, o cumprimento da grande Aurora Cunha, do outro, o do dinâmico Director Paulo Costa, 


que me dá a mão e me acompanha nos metros finais, chamando a atenção do speaker para a minha chegada. Um abraço emotivo e as merecidas felicitações por tão grande evento. Já, de saída, encontro o meu amigo e antigo colega de equipa, Paulo Moradias,


de Castelo Branco, que já fez esta prova uma dezena de vezes. Percebe-se porquê. 

Fica a minha gratidão pela atenção que me foi dedicada e que, sem falsa modéstia, nada fiz para merecer. Muito obrigado Paulo Costa, por esta grande e belíssima Meia Maratona. E Parabéns a toda a equipa que a concretizou.  Estava feita a Meia Maratona do Douro Vinhateiro-Edição de 2024.




terça-feira, 19 de outubro de 2021

Maratona de Lisboa 2021

À chegada, no sítio do costume, os 3 da vida airada (e o TóPê à espreita.
A Tranquilidade teve 3 participantes Eu,o Pedro( e o Jorge Serra que não se vê na foto)
Reencontro com um velho amigo que conheci na Freita, Helder Tomé
Com o Nuno Marques. O Álvaro tinha ido à sua vida, pois é de outro campeonato.
Por volta dos 15Km
Foto Luis Duarte Clara
À entrada na Praça do Comércio (foto Mário Lima)
Este era o momento desejado (foto Marcelino Almeida)
Com, a Iris, que me ajudou nos últimos km
O reencontro
O que eu passei para aqui chegar
E assim está feita a primera Maratona oficial pós-pandemia, ainda muito aquém do que foi antes, mas que deixa a esperança de que o mal se está a ir embora. Venham agora as grandes festas da Corrida, em especial da Maratona. E o Porto já está à nossa espera.

segunda-feira, 13 de setembro de 2021

Corrida do Centenário de Federação Portuguesa de Atletismo -

Com  Álvaro Pinto

Aos 9Km

Com o Luis Duarte Clara e Rui Vieira

 

 1ª Prova de 2021

10 Km a marcarem o regresso às lides depois de uma longa pausa causada pela pandemia e ... pela preguiça. É que não havendo provas para estimularem os treinos, entra-se numa pasmaceira de onde é difícil sair. É preciso vislumbrar algo para nos encorajarmos. E foi o anúncio da Maratona do Porto que me fez voltar a calçar as sapatilhas e ir testando a  condição física. Fraquita. Muito fraquita. Com um andamento mais perto dos dos 6,30 que dos 6,00'/km. Por momentos pensei que a minha "carreira" de corredor estava a dar as últimas. Com um passo lento e penoso (porque se fosse lento e aprazível, nada a dizer) não conseguia retirar satisfação na prática da corrida. Um mês e meio depois, já consigo fazer 10 km abaixo dos 5,30. Acho que isto "está a ir ao sítio",  embora sem a ilusão de querer melhorar. Se melhorar há-de ser naturalmente, sem que esse seja o foco da minha preparação.

Eis que a Federação Portuguesa de Atletismo teve a amabilidade de me endereçar um convite para participar na prova de 10 Km, comemorativa do seu centenário, com partida e chegado ao Estádio do Jamor. Olha (!), vem mesmo a calhar. E apareci lá.

Saudades das amenas cavaqueiras que antecedem as partidas. 

Incluída no programa estava uma prova para crianças, em volta da pista. Muito bom de ver e aplaudir tanto o que corria com entusiasmo, como aquele que, a passo, com ar sério, cara escondida na pala do boné e contrariado, lá ia caminhando puxado pelo pai. Gostei muito. 

Ao chegar às 10,00H o pessoal encaminha~se para a linha da partida. Eram, talvez, umas cinco ou seis centenas. Cumpriu-se um minuto de silêncio por Jorge Sampaio e é dado o tiro de partida. Meia volta ao estádio, saímos em direcção à Marginal, Caxias -retorno, Algés-retorno e novamente Estádio Nacional.

Demorei perto do 56m e boas sensações. Ver se a coisa não arrefece.

quinta-feira, 5 de agosto de 2021

O Triplo de Ouro em Tóquio

 

 O Homem que não sabia sorrir

Sei pouco de ti, Pedro. Sei que nasceste em Cuba e que, por qualquer razão, há meia dúzia de anos, escolheste Portugal para viver. E que dominavas (e continuas a dominar – e de que maneira!)  a especialidade do Triplo Salto, que já tinha, por cá, um Menino de Ouro, o nosso querido Nelson Évora.

Também sei que, em matéria de convivência com o Nelson, as coisas não correram bem e a verdade é que não sei de que lado estaria a razão. O que sei é que um sorria e outro não.  E até nesta madrugada, em que também tu chegaste ao Ouro, não te vi sorrir. Estavas seguro e confiante, mas não sorrias. Faltou-te um “danoninho” para atingires os tão desejados 18m! Deixaste o 2º classificado quase a meio metro e não te vi sorrir. Exibiste, vitorioso, a nossa Bandeira e puseste-nos, a todos, orgulhosos porque estávamos contigo e tu connosco. E ganhaste. E não sorriste. Enquanto isso, o teu conterrâneo saiu de cena sem exibir a a bandeira cujo significado te ensinaram nos teus tempos de escola. Não sei se isso te terá dividido os sentimentos e te levou a não sorrir. Isso consigo compreender.

Acabei de te ver na cerimónia protocolar. Conduziste-nos aos deuses lá do Olimpo e puseste-nos os olhos embaciados de emoção. Sorriste levemente.

Oh Pedro, tu não és assim! Como é que tu consegues passar para nós emoções tão grandes e que não expressas?

A verdade é que tu és enorme e tens Portugal a teus pés. E está-te muito grato. Vá lá, sorri, que é tão mais fácil que saltar 18m e assim nós não pensamos que estás chateado connosco.

Um grande abraço Pedro e muito obrigado pela excelência do teu feito.

 

O Triplo de Prata em Tóquio



 

terça-feira, 9 de março de 2021

"Lançamento do Triplo Ouro"

 


 

Uma esfera de ferro bem lançada
Pela força explosiva de Auriol
Deixa toda esta gente embasbacada
Desviando os olhares do futebol.
Com a máxima “mais longe” consagrada
Dando a este Pais lugar ao Sol.
Transforma o escuro ferro em ouro fino
E dá-nos a emoção de ouvir o Hino.

Vem depois o Pichardo decidido,
Com três pulos logrou grande vitória
E p’la segunda vez foi conseguido
Relevante registo para a História.
Outra vez ouro, e mais que merecido,
Que ficará gravado na memória.
De novo o pódio, o Hino e a Bandeira
De novo a emoção mais verdadeira.

Não há duas sem três, diz o rifão,
Que nesta terra traz sabedoria,
Se os deuses estão connosco, pois então,
Venha a Patrícia para nova alegria:
Com um triplo em muito ar e pouco chão
Deu-nos mais ouro ao terceiro dia.
E, mais p’lo esforço que p’la mão de Deus
Foi OURO a triplicar nos Europeus.

Parabéns e muito obrigado pelas Alegrias que nos deram.

 

quarta-feira, 30 de dezembro de 2020

O fácil balanço triste de 2020

 

Já vem de longe o hábito de, no final de cada ano, fazer o meu balanço desportivo do ano que termina, quase sempre com a sensação de ser bem mais fraco que o desejado. Mas, agora, quem me dera ter alcançado o pior dos resultados anteriores.

Em poucas linhas, foi isto:

26.JAN. - 30ª Corrida Fim da Europa – 1.33.05

09.FEV.  -4ª Montepio Meia Maratona de Cascais – 1.56.19

16.FEV.  -4º Terrugem Trail (25Km)– 3,15,16

21.JUN – A ÙNICA (Maratona entre o Rio da Mula-Sintra e Lisboa) Com 18 amigos

19.SET -  Meia Maratona S.J.Lampas “O Tanas é que não Corro”

27.SET -  10Km Be Active, no Jamor


 

 Quanto a treinos… foi proporcional. Acho que, desde que corro, nunca houve um ano em que tivesse corrido tão pouco e, para acabar a “Festa”, ao invés do frenesim das S. Silvestres, fiz um Dezembro com ZERO Km, ou seja, fiz tantos Km em treinos, como em provas. E o que me chateia é não me apetecer correr. Será isto o prelúdio do arrumar das sapatilhas? Vamos pôr essa “responsabilidade” para cima de 2021, que eu cá estarei para cumprir o que ele determinar.

Um Bom Ano para todos é o que vos desejo, desejando que os meus desejos sejam ordens.