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quinta-feira, 24 de julho de 2008

Apontamentos do Raide 2006 - I

Com o Zen e o Joaquim Antunes, antes da partida (já a seguir)


Nestes breves dias que anteced em mais uma edição do Raide Melides-Tróia, revivo momentos resultantes da experiência tida nestas andanças. Para quem tiver a paciência de ler, vou "falar-vos" do que vivi em 2006, na minha 2ª participação na prova .

Raide. Para a grande maioria das pessoas trata-se de um dos esforços mais inúteis que alguém pode fazer! Mas, para quem o fez, trata-se de uma conquista que não encontra equivalentes neste mundo. E é a prova de que a vida, para além da demanda a que nos habituámos, é recheada de outros grandes valores. Podem ser insólitos, inexplicáveis, bizarros. Mas o que é preciso é saber descobri-los, na certeza de que não valem menos que os convencionais. É, no fundo, o valor do ser-se capaz!

E foi assim, que no dia 30 de Julho, manhãzinha cedo, depois de uma contagem decrescente cheia de imaginação, 157 dos 164 inscritos, se apresentaram, à hora marcada, na Praia de Melides, para cumprir a dura (mas gratificante) missão que impuseram a si próprios.

Uns minutos de espera, a aplicação de um protector solar “rasca” que não veio a servir de nada, o reencontro com muitos amigos destas andanças e a satisfação de, finalmente ter conhecido o Zen ! Umas fotos a assinalar esses momentos e vou bebendo uns goles da garrafa de litro e meio de água que nos deram.

Nuns breves momentos de concentração vou até à beira da água para experimentar a areia. “–Isto vai ser lindo, vai !” – pensei cá para comigo, depois de ver que a maré não “estava a jeito” e escondia-nos a “passadeira” por onde pretendíamos correr. Por outras palavras : “puxou-nos o tapete!”.

Ouvimos com atenção as indicações da Organização e as palavras de incentivo do Senhor Vereador, enquanto não podíamos deixar de dar atenção aos diferentes tipos de indumentária com que cada um iria enfrentar o desafio. E lá estava o trio da Atlas Copco de Madrid “capitaneado” pelo nosso João Hébil, em grande estilo, impossível de passar despercebido. Uma iniciativa publicitária bem conseguida (João, vais ter direito a mais umas reuniõezinhas na estranja, na altura em que houver por lá uma maratona!)!

Soa o tiro da partida ! Pela areia plana, porém seca, o grupo foi-se dispersando, procurando inutilmente os locais onde houvesse maior firmeza do solo. Cada um foi encontrando o seu ritmo como pôde. De facto, era mau correr na areia solta, mas a verdade é que todos os que tentavam descer a “rampa” para correr junto à água, acabavam por voltar a subi-la, constatando que a grande inclinação não facilitava a corrida e que areia, embora molhada, “afundava” juntamente com o sapato. “-Não adianta” - dizia um – “é mau na mesma”! Tínhamos mesmo de continuar na areia seca.

Encontrámos um rodado de um tractor ! Era vê-los a colocarem-se em fila indiana por esse trilho, na esperança de que o tractor já tivesse calcado a areia. Lembrei-me do Aleixo naquela quadra : “Quando um náufrago se estafa / Julga ver, triste ilusão / Na rolha de uma garrafa / A tábua de salvação “ . A rolha, claro, era o trilho e o náufrago era uma “espécie de raider” (no caso, eu) que já ia com umas dores lombares desconfortáveis – e nem cinco Km tinha ainda feito! Como se isso não bastasse, os intestinos também se insurgiram contra mim.

Vejo lá à frente a bandeirinha dos 5,5 Km ! –“Acho que vou ter de fazer uma pausa”- mas sem querer levantar suspeitas aos membros da Organização que ali estavam, esperei que anotassem o meu dorsal e disse-lhes que iria alterar a minha rota para junto dos arbustos, mas que voltava. Havia uma certa curvatura da duna naquele local e eu, agachado, ia vendo as cabeças a passarem : “-Lá vai uma! Lá vai outra, outra…” e eu sem me apetecer sair dali! Foram, cinco minutos bem passados e, quando retomei o rumo, a disposição era bem melhor e voltei a ter um ritmo de passada mais a meu contento.

(continua)

quarta-feira, 16 de julho de 2008

32ª Meia Maratona de S. João das Lampas



Hoje é um dia especial, pois foi colocado on-line o logotipo da 32ª Meia Maratona de S. João das Lampas, a realizar no dia 13 de Setembro. Embora possa ser suspeito, devo dizer que considero este trabalho, um dos melhores que já vi, em termos de imagem de provas, e cuja autoria é dos nossos amigos da Runporto, competente equipa liderada por Jorge Teixeira que, tal como em 2007, presta uma colaboração especial à Meia Maratona de S. João das Lampas. Para eles, um grande abraço de gratidão.

terça-feira, 15 de julho de 2008

Raid Melides-Tróia 2008

A chegada em 2007





A chegada em 2006



A carinha dele após o Raide de 2007


Eu devo ser mesmo “passado da carola” ! É verdade que a força da mente vale metade da que é precisa para se atingir um objectivo. Mas eu já estou a querer que valha 90% !
E o pior é que se trata de um objectivo que, embora já tenha sido alcançado por 3 vezes, é um bocadinho ousado para o meu estado actual de preparação.

Então não é que, só pelo facto de eu ter “encabrestado” nele, fui fazer um treino de 2 horas (que incluíu 35 minutos na praia), senti-me bem e... fiquei a pensar que o Raide Melides-Tróia 2008 já cá canta!??

Devo dizer que esta aventura do Raide, em 2005, pela “transcendência” que o envolvia, se transformou numa autêntica “saga” de devaneios, mas que me proporcionou excelentes e divertidos momentos de reflexão e recreação nos foruns de corrida, que se repetiram em 2006 e 2007. Foram as intermináveis “Melíadas”, com que iam sendo feitas as actualidades sobre esta Prova.

43Km corridos na praia entre Melides e Tróia é uma experiência inolvidável que, enquanto puder, gostaria de repetir sempre. Voltarei ao tema .

terça-feira, 8 de julho de 2008

O Tarik


Cada vez mais me convenço que, por obra do Homem, as restantes espécies vão tendo cada vez mais dificuldade em saber qual o espaço que têm direito a ocupar neste mundo e vão ficando, progressivamente, desadaptadas às condições que, abusivamente, lhes fomos impingindo.
Só porque nos achamos superiores (temos “alma” e tudo) entendemos que os restantes terráqueos devem seguir os nossos valores e sujeitar-se às nossas pressas e a viver de favor no espaço de que nos apropriámos e que eles também têm o direito de utilizar.
O mundo tornou-se hostil. O menor descuido pode traçar o fim.
Digo isto em reflexão, pois habituei-me a ter, todas as manhãs, quando abria o estore da janela do quarto, a saudação amiga do Tarik. Dava o seu “miau” a pedir uma festinha e ficava ali, sossegado ou a roçar-se, meigamente, a pedir mais. Hoje, ninguém sabia, mas fê-lo pela última vez!
Quando eu saía do portão, após o almoço, vi que ele jazia no meio da estrada, após um atropelamento que, desta vez, foi fatal.
À distância, pode pensar-se que foi apenas um gato que perdi e que é “lamechas” este apontamento. Mas se a relação de afecto que estabeleci com o “bichano” se perde por causa tão forte, cria-se uma espécie de ferida que, como tudo aquilo porque passamos e nos magoa, só o tempo há-de sarar.

domingo, 29 de junho de 2008

29ª Corrida das Fogueiras -Peniche

Os meus amigos Carlos Neto e Carlos Rocha (Os "abstémios" das sardinhas)

Este ano, a Corrida das Fogueiras, calhou mesmo no Dia da Fogueirinha de S. Pedro, a última das que se faziam pelos Santos Populares, numa tradição que se perdeu.

Mais uma vez, estive em Peniche, pois este Corrida é uma das minhas clássicas. Não sou totalista nas 29 edições realizadas, mas já devo ter feito umas 25. É só questão de ir contar os troféus ali conquistados.

Chegados a Peniche, encaminhámo-nos para o levantamento dos dorsais (não do meu, que o meu amigo Francisco, ao tratar dos da equipa do Banif-Açoreana – a minha equipa - já tinha estado a trabalhar para mim) dos dois amigos que me deram boleia). Para ser sincero, não gostei da forma como foram entregues os dorsais. Por muita que seja a experiência adquirida ao longo de tantos anos, nunca deveria ter-se negligenciado um aspecto que é de grande importância para a avaliação de uma Prova. Costuma ser bem melhor. O local de entrega já mudou muitas vezes, mas este ano foi, talvez, o que ficou mais distante da partida. Mas isso ainda seria o menos. A fila única para a Corrida das Fogueiras e para a das Fogueirinhas não funcionou de modo célere e a forma algo atabalhoada com que entregavam as lembranças e as senhas para a sardinhada (a uns davam-nas espontaneamente, a outros só se pedissem, a outros ainda, nem pedindo porque “tinham ido buscar mais” e isso obrigaria a uma espera que, já tendo sido longa até ali, não deveria prolongar-se mais) deixou muito a desejar. Cá fora, a fila ia crescendo. Contra todas as expectativas, neste particular, a Organização não esteve bem.

Quanto à Corrida em si, é sempre um grande prazer participar. Ao cair da noite, pela “fresquinha” e com foguetório e tudo, iniciámos a Prova, ante os aplausos entusiastas de uma multidão que enchia as ruas principais. Estimulantes estes aplausos! Entre os 2 e os 3 km, cruzámo-nos com os que já vinham e com os que ainda iam, num sempre esperado momento em que possamos fazer uma saudação momentânea à malta amiga, o que se tornava mais difícil com o escurecer. Porém ainda deu para dizer um “ói!” três ou quatro vezes.

Fiz a prova de trás para a frente, mas receando estar a imprimir um ritmo demasiado elevado para o meu estado de forma (aos 5km, levava 23m) ; aos 10 Km não consegui ler o cronómetro, mas acabei por me aguentar bem, terminando com 1.09. Menos 5 minutos que no Porto !

No final, uma chegada sem qualquer tipo de problemas na saída, onde já só se recebia uma (ou mais) garrafinha de água.

Havia, depois, a sardinhada. Desta vez até me apetecia ir para lá, esquecido que já estou da confusão da última vez. Mas, éramos três e o meu voto foi o vencido! A boleia é bom mas tem destas coisas.

Para o ano é a 30ª Edição! Amigos de Peniche (é um trocadilho, apenas!) se puserem em prática aquilo que todos sabemos que são capazes de fazer, os erros deste ano –apenas na entrega dos dorsais - não irão repetir-se e a Festa será de arromba ! Eu conto lá estar . Mas não quero terminar sem deixar aqui os meus Parabéns pela vossa persistência e por por mais ume edição da Corrida das Fogueiras.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Corrida das Festas da Cidade do Porto - 2008

Com Jorge Teixeira, o Director da Prova (foto de J.Margarido)

Este homem, de que muito me honro ser seu amigo, com as suas virtudes e defeitos, é merecedor de toda a minha admiração e respeito. Nos seus ombros está a responsabilidade de se rodear das pessoas certas que lhe permitam concretizar tão grandes eventos. E a Corrida, na Cidade do Porto, ganhou um outro estatuto desde que ele assumiu o seu comando na RunPorto. Várias são as ocasiões em que isto se pode comprovar, mas, pelo S. João, a Corrida das Festas da Cidade, talvez porque a alegria paira no ar, tem qualquer coisa de especial, testemunhada por todos os participantes.
Chega-se e sente-se o ambiente de uma recepção acolhedora; visita-se a cidade e é contagiante a simpatia das pessoas; participa-se na corrida e vivemos a Festa. Não importa se estamos entre os primeiros ou entre os “últimos”, que somos tratados com igual simpatia e consideração.
E depois, encontramos sempre gente amiga, com quem podemos partilhar umas “voltas ao bilhar grande” para chegar ao hotel; uma “francesinha” saborosa em sã confraternização enquanto a noite vai caindo sobre a Cidade e sobre o Rio e enquanto a Rússia vai, surpreendentemente, pondo a Holanda de fora no Europeu de Futebol.
Com o Cláudio, a Ana e a Rosa (foto do Pai da Ana)

Quanto à Corrida, se as anteriores edições já mereciam a nota máxima, esta ainda saiu reforçada, tendo-se feito um ajustamento do percurso (passagem pela meta aos 5Km, retorno aos 10km e finalização aos 15km!) que permite um melhor controlo dos caminheiros.
Demorei 1h14m a fazer a Prova, o que não considero mau de todo dada a fraquíssima preparação que tenho feito.
No final, recebemos aqueles “miminhos” com que a Organização nos brinda e que tão bem sabem.
É da maior justiça deixar uma palavra de agradecimento a esta brilhante Organização pelo carinho recebido, felicitando-a por este trabalho que, no mínimo, é exemplar.
Sentimo-nos de tal forma que, logo que o dia acaba, ficamos com saudades.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Aqui, não! xô, xô...


Quero pedir mil perdões à minha gente das corridas! A indignação com outras questões começou a transformar este espaço num muro de lamentações. Não era nada disso que eu queria. A Corrida, praticamente, fora remetida para as calendas e estava a ser o “poderoso homem do galo” o alvo das minhas atenções. Como quero “restituir-me” à minha modalidade de eleição, remeti as outras questões para um outro blogue, deixando em paz e sossego, os meus amigos que esperam que eu fale de Desporto.
Esse novo blogue, com um nome inspirado na lamentável situação, está no seguinte endereço :
http://outrogalocanta.blogspot.com/
Quanto às Corridas, já lá iremos. Digo apenas que no último fim de semana estive na Corrida das Festas da Cidade do Porto que, como sempre, adorei e no próximo sábado, será a vez da Corrida das Fogueiras, em Peniche, onde também gosto muito de participar.
Já volto.