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quinta-feira, 10 de maio de 2012

Corrida pela Selecção


Embora sejamos unânimes em reconhecer os exageros nas mordomias que são prestadas ao futebol em detrimento das outras modalidades, acho que não devemos ser fundamentalistas.


É bom não nos esquecermos que, no fundo, a Corrida não é uma modalidade mas a base de quase todas as modalidades. Logo, a Corrida pode viver sem o futebol, mas o futebol não pode viver sem a Corrida (reparem que escrevo futebol com minúscula e Corrida com maiúscula). Só que, de uma maneira geral, a esmagadora maioria dos que correm também gostam do seu joguito de futebol, também têm o seu clube preferido, também gosta que os seus símbolos sejam bem visíveis. A Selecção de futebol é um símbolo que muito contribui para a coesão nacional, fazendo-nos esquecer o que nos divide e exaltando o que nos une. E não será apenas a selecção de futebol, bem entendido, mas todas as selecções.

Penso que o alvo do nosso descontentamento não estará na genialidade dos jogadores que nos representam, mas na comunicação social que os promove até à exaustão (mais as namorados, os filhos, as férias, os carros), esquecendo-se da tremenda injustiça que comete em relação aos grandes valores que temos noutras áreas, nomeadamente, no Atletismo, onde se atingiu o cume do prestígio mundial e o que surge na imprensa sobre esses grandes feitos, não passam de notícias envergonhadas.

Esta Corrida pela Selecção, na minha óptica, não deverá ser vista como uma intrusão do futebol na Corrida, mas sim como uma “massificação” ou como um “prolongamento” dos vinte e tal jogadores, a todos os desportistas nacionais. Ao suarmos as camisolas estamos imbuídos do mesmo espírito que os nossos craques (o que eles recebem por isso já é outra conversa).

Também não vejo que esta Corrida pela Selecção seja uma espécie de vuvuzela, de tão má memória.

Ora bem: nós gostamos é de correr, verdade? Então, o facto de surgir mais uma Corrida é motivo de satisfação, ainda por cima quando o “rei futebol” inclina perante nós um pouco da sua majestade.

domingo, 6 de maio de 2012

IV Meia Maratona na Areia -C.Caparica

Já tinha sido dada a partida, mas ainda havia tempo para a foto da Isabel Almeida
 À chegada (Foto de Zé Carlos Melo)
 Com o Nuno Alexandre a dizer-lhe que a Prova estava excelente  (foto Carlos Lopes)

Talvez tenha sido pela força da lua que nesta madrugada se mostrou com o maior círculo de luz reflectida de que há memória (dizem), agradada que estava com o culto que lhe é prestado por grande número de corredores nos treinos lunares. A verdade, porém, é que o areal da Caparica este ano, estava magnífico, como se fosse uma enorme passadeira, onde se corria com toda a facilidade. Assim houvesse pernas.


A temperatura estava agradável e não havia vento de espécie nenhuma.

Às 9,30 é dado o sinal da partida. Parti na cauda, com o meu amigo Orlando Duarte e foi com ele que fui até aos 5,5Km. Já há algum tempo que me parecia estar a “ir na conversa” do Orlando, pois estava a passar por atletas que sei que correm mais que eu, pelo que previa, lá mais para a frente,” ter de pagar o pato.” E assim foi, mas consegui, nos últimos 3 Km, recuperar o andamento e muitas das posições que tinha perdido.

Quanto à Organização, foi BRILHANTE. Não lhe aponto qualquer falha. Continuo, pois, a ter todos os motivos para continuar a ser totalista desta Prova. Parabéns ao Mundo da Corrida, sobretudo àqueles que fizeram o sacrifício de não correr, para que não nos faltasse nada.

Quem sabe, sabe. Agradeço a todos os que estiveram envolvidos na Organização, a excelente manhã que nos proporcionaram.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

"Batam" leve, levemente...



Era para responder aos comentários do texto anterior, com um outro comentário. Mas achei melhor fazer um novo, para mais fácil visibilidade.

Eu sabia. Eu sabia que estava a pôr-me a jeito para levar tareia, pois a grande maioria dos meus amigos condena a campanha que foi feita. E eu, embora não pareça, em termos pessoais, também condeno. Mas não custa compreender que muita gente tenha visto nesta campanha, a oportunidade para abastecer-se como não o fazia há muito tempo. Houve excessos? Houve. Houve ganância? Houve. Houve gente a fazer compras que não precisava e agora vai ver-se aflito para pagar outras contas? Houve. Mas isso tem a ver com a mentalidade das pessoas, com a sua educação. E quem é que não sabe que o capital explora essa condição?

Ter-se escolhido o 1º de Maio? OK, também aceito que deviam ter escolhido outra data.

Quanto à "dignidade" é coisa que varia na razão inversa da "necessidade". Lembro-me que, em miúdo, o padre cá da terra, que juntava a criançada no salão paroquial em pequenas peças de teatro, volta e meia, lançava para o ar mãos cheias de rebuçados, que nós, em movimentos tão rápidos quanto possível, apanhávamos do chão. À distância, parece-me que o rastejar para apanhar rebuçados, é uma atitude indigna, mas na altura, o pensamento era simples: ou o fazia, ou não comia os rebuçados. Não pensava na perda da dignidade. Queríamos era que o padre atirasse mais rebuçados.

Infelizmente, sabe-se que quem está por cima joga com as necessidades dos outros.

A atitude indigna não estava no acto de dar os rebuçados, mas na forma como os dava e quem perdia a dignidade não era quem rastejava para apanhar os rebuçados, mas quem os atirava para o ar ou para o chão.

Ao dizer isto estou a dar razão aos meus amigos que comentaram, mas mantenho que, sob o ponto de vista de um povo necessitado, é compreensível que tenha aproveitado a oportunidade, ainda que ao fazê-lo, possam ter em mente:"-Porque é que estes cabrões não fazem isto todos os dias?", expiando com o palavrão, a dignidade perdida.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

A chatice de pagar pouco


O dia era o do Trabalhador. Da exaltação da força do trabalho na criação da riqueza de um País onde as empresas têm vindo a fechar, onde tem crescido o desemprego, onde a acumulação da dívida está longe de ficar controlada. Onde o poder de compra dos que ainda vão ganhando algum salário, já começa a ter dificuldade em assegurar o básico. Mais do que nunca, se impunha gritar bem alto que era preciso inverter o rumo das coisas.


Eis que uma cadeia de supermercados, com a duvidosa intenção de ir ao encontro das necessidades de quem ganha pouco, decidiu comemorar este dia concedendo descontos iguais ao valor das compras efectuadas!

E agora? O que é que seria melhor? Ir para as “manifs” gritando os slogans que se impunham, ou arriscar umas horas de espera nas filas do supermercado, para reabastecer a despensa e poder ter um mês mais tranquilo? O dilema entre o virtuosismo idealista e a oportunidade palpável.

Surpreendentemente, aqueles que mais defendem os desfavorecidos, insurgiram-se contra esta campanha, invocando variadas razões (capitalismo selvagem, humilhação dos trabalhadores, transformar o Dia do Trabalhador no Dia do Consumidor, etc).

Aceito que a escolha da data pode “trazer água no bico”, mas também pode ser interpretada como uma forma de comemorar o dia, “duplicando” o valor dos magros salários que os trabalhadores recebem.

Aqueles que pretendem dar ênfase ao valor dos ideais, pois que o façam como sempre fizeram. Mas aqueles que dão “voltas às ideias” para conseguir dar de comer à família, não deverão ser criticados por terem aproveitado a oportunidade, independentemente do que esteja por trás dela.

Mas isto é mesmo assim: A J.M. acha que o mal que fez foi “atacar” os trabalhadores com uma campanha que lhes encheu as despensas por pouco dinheiro; Os outros acham que “com papas e bolos se enganam os tolos”.

O que é que isto tem a ver com Corrida? Tem! Porque se eu não tivesse ido para 31ª Corrida 1º de Maio (que falou mais alto) tinha ido logo cedinho ao Pingo Doce, ai não!…A selvajaria já é outra conversa.



terça-feira, 1 de maio de 2012

31ª Corrida do 1º de Maio -Lisboa


 Com o João Veríssimo (Foto António Melro)

 Na recta final (Foto Isabel Almeida)


Finalmente (Foto Zé Gaspar-AMMA)

Já de saco às costas (Foto Zé Carlos Melo)

1º de Maio. Habituei-me a celebrar esta data histórica, carregada de significado para todos aqueles que trabalham ou que gostariam de trabalhar mas que não lhes é permitido. Dizia eu que me habituei a celebrar a data, participando nesta Prova que começa e termina no renovado estádio 1º de Maio (lembro que, ainda em Dezembro, quando da Maratona de Lisboa, estava ele virado de pernas para o ar, com montanhas de chão onde hoje se encontra um belíssimo relvado sintético). Foram 1500 atletas que fizeram como eu, percorrendo 15 Km numa Lisboa quase deserta, não sei  se por causa dos pingos de chuva, (que eram pacíficos), se por causa dos pingos doces (que deu… em chapada em muitos casos).

Desta vez, a prova teve início no interior do Estádio, dando-se uma volta à pista, com a espectacularidade de uma bela moldura feita de uma multidão colorida e em movimento. Ganhou pontos com esta novidade.

Saí no terço traseiro do pelotão e os primeiros quilómetros foram feitos debaixo de chuva fria, que me gelou as mãos, até que o calor gerado pela corrida (e pelo fim da chuva) as normalizou. Sabendo eu que aqueles 3Km da Almirante Reis não eram pêra doce, tratei de gerir a coisa de forma a que, quando lá chegasse, estivesse em boas condições para a enfrentar. Por isso, tive que me conter nas agradáveis descidas da Fontes Pereira de Melo e Av. Da Liberdade. No Martim Moniz, então, ensaio um ritmo mais vivo e vejo que me dou bem com ele. Por isso, mantenho-o e vou subindo enquanto reparo que vou ganhando posições.

Areeiro: 12Km. Agora, as dificuldades do percurso já estavam para trás, mas preferi não insistir num andamento crescente, com receio de entrar no Estádio em quebra, o que seria desagradável.

Lá consegui chegar, em “bom estado”, embora não saiba quanto tempo fiz (os resultados ainda não estão disponíveis "Tenho o acesso bloqueado",eheheh), mas pelos tempos de amigos que chegaram por aquela altura, deverá ser qualquer coisa parecida com 1,10.

Quanto à Organização. Pareceu-me bastante bem, embora o traçado da Corrida não tenha sido exactamente igual ao que foi certificado. Daí que ficou encurtado em duzentos e tal metros, que pode ter sido chato para quem queria aferir a sua marca aos 15Km, mas que não teve importância nenhuma para quem estava ali pela Festa. E sei que foram praticamente todos. Por isso, é com total merecimento que dou os Parabéns à Organização e agradeço o facto de nos ter proporcionado participar nesta excelente Corrida.

Nota: Afinal já sei o resultado: 1,10,20 (561º). O resto está aqui.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Rock around Madrid




Lá fui eu correr o Rock’n’Roll a Madrid
Nesta Maratona das melhores que corri
Toda a gente corre, toda a gente ouve o som
Fica comprovado que correr é que é bom

Bom-bom ,Oh yeah ; Bom-bom ,Oh yeah

Logo p’la fresquinha os corredores, aos milhares
Olham para cima e o que caía dos ares ?
Eram os páras que saltaram lá das alturas
Ficavam de pé em aterragens seguras.

guras guras - oh yeah/ guras guras oh yeah

Tiro da partida, começa a correria
E cobre a Castelhana de um manto que mexia
Logo ali, a meio, houve um primeiro sinal
Que todo o percurso iria ser bestial

Bestial, porquê? Oh yeah

Em cima de um palco estava lá uma banda
Confirmando o que dizia a propaganda
Com um som bem alto e ao ritmo da passada
Música p’ra todos, não há malta cansada


Ada-ada- oh yeah ;Ada-ada- oh yeah - ainda não

Ao longo da prova como que por distracção
Vou contando os palcos p’ra saber quantos são
Só que já são tantos e a cabeça já fraca
Perde-se nas contas e começa a ressaca

Aca-aca- oh yeah; Aca-aca- oh yeah

Mas por isso mesmo quando há mais uma banda
Há um novo alento que nos telecomanda
E se, por acaso te quiseres pôr a andar
O som da guitarra faz-te envergonhar

Nhar-nhar –oh yeah; Nhar-nhar –oh yeah; toca a correr

Primeiro disfarças ao marcar o compasso
Já não é com as pernas, mas ao menos com o braço
E em vez de fazeres uma Maratona muda
Nesta, o Rock’n’Roll deu-te uma valente ajuda

Uda-uda, oh yeah; Uda-uda, oh yeah

Com a meta à vista, perante a multidão
Vais treinando a face p’ra teres boa expressão
P’à fotografia, põe-te em pose e sorri
Que já tens mais uma Maratona em Madrid


Venha a medalha, oh yeah; venha a medalha, oh yeah.
Venha a medalha, oh yeah; venha a medalha, oh yeah.

Tchan-nan-nan-nan – oh yeeeeeeeeeeeeeeah!!!!!
Esta é do Paulo Pires (está mais à mão)