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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Senhoras e Senhores, Respeitável Público...




Alguns pontos de passagem


É uma constatação que, cada vez mais, vai crescendo a apetência para o contacto com a natureza. Cada vez mais importa deixar de lado os instrumentos que tão mal a trataram durante décadas e embrenhar-nos campos fora, caminhos tortos e pedregosos, contemplando o verde, ouvindo os regatos e o coaxar das rãs. E deixar que o sol se ponha, que a luz do dia se esbata e anoiteça, dando lugar, como ontem, à da Lua que nasce no lado oposto da linha do horizonte. Isto enquanto se corre ou caminha longe do bulício, é como que uma carícia que se faz a um animal que se pisou sem querer. É um pedido de desculpas pelas maldades feitas. Um reencontro.
A Corrida faz parte deste regresso às origens em que apetece não ver postes, alcatrão, plástico e em que a luz do dia é tão natural como o breu ou o luar da noite.
E foi na compreensão deste pensamento que o Meia Maratona de S. João das Lampas tomou a decisão de organizar o 1º TRILHO DAS LAMPAS, numa distância de cerca de 20 Km, cujo trajecto foi ontem testado. Vai ser dentro de muito pouco tempo. Fica a ponta do véu levantada, mas os pormenores sairão em breve.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Uma mão cheia ... de nada


O Cidadão completa hoje cinco anos de presença na blogosfera das corridas. Uma presença que me trouxe grande satisfação ao conjugar o gosto pela Corrida com o gosto de escrever e contar coisas.
Porém, este último ano foi decepcionante, pelo menos para mim. A Corrida não foi tanta quanto desejaria, mas as croniquetas ainda conseguiram ser pior. Tal como acontece quando deixamos de correr por uns dias, em que custa a ganhar ânimo para recomeçar, também aqui no blogue, a paragem levou-me a um estado de letargia, de apatia tal, em que tinha a sensação que nada era importante para que merecesse a …publicação (já vi que, mais dia menos dia, tenho que me render à “postagem”). Dizia eu que este último ano foi decepcionante, pois durante mais de seis meses não trouxe nada de novo e, obviamente, o número de visitas que tinha sido tão animador no 4º ano, no 5º teve a resposta justa.
Sabemos também que o Facebook passou a absorver muito do tempo disponível para esta actividade: é muita a oferta de leitura e a disponibilidade para escrever varia na razão inversa. E também já chateia vir dizer que “vou tentar inverter esta tendência” porque já o disse antes e o resultado é o mesmo. O que vale é que os meus amigos sabem que a relação com um blogue é coisa livre. Não se escreve para manter uma média, mas para comunicar algo e sobretudo, se apetecer comunicar. Nunca o silêncio que às vezes aqui se instala, deve ser confundido com menos consideração pelos meus amigos e amigas leitoras, pois esses e essas, estão sempre no topo do apreço que possa ter por alguém.
Cinco anos! Ainda o cidadão é uma criança do pré-escolar que, por mais que venha a durar, nunca deixará de estar em perpétua aprendizagem. Muito obrigado a todos.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Trilhos de Sintra à Noite



Foi giro! Dou por bem empregue o facto de me ter inscrito e participado nesta Prova , cujo “defeito-mor” está no nome que lhe deram : Run Sintra Trail By Night , blhaaaac…! Porque raio hão-de dar àquilo que é tão português, nomes estrangeiros, como se fosse essa a via para uma eventual internacionalização do evento!? Sintra não fica mais bela porque é descrita em inglês. Sintra é bela porque é bela. Quem for inglês, que fale dela em inglês com a simplicidade ou com o talento que cada um tenha. Percebe-se que Lord Byron tenha dito de Sintra o que disse na língua que conhecia, mas jamais se perceberia que Eça o tivesse feito sem ser em português.
Mas deixemo-nos destas questões e vamos a esta fabulosa  Corrida, que me levou a sítios por onde, vergonhosamente,  nunca tinha andado. Disse “vergonhosamente”, porque sou de Sintra! O traçado, embora anunciado,  deixei propositadamente, que fosse surpresa: Saída do Palácio da Vila, Volta do Duche, Rio do Porto, Escadinhas do Hospital, Largo da Vila e… a partir daí, junto ao Café Paris, penetrámos naquela Sintra invisível por quem não a percorre a pé (ruas estreitas, em calçada, com arcadas, com escadinhas, esquinas e mais esquinas, pequenos pátios); Estrada dos Seteais, entrada para a Quinta da Regaleira, com os seus imponentes jardins que, mesmo à luz ténue dos frontais dos atletas, deixava adivinhar os seus encantos meio escondidos pelos muros altos que a cercam. Aí, naquele serpentear de caminhos pedonais, que atravessavam riachos por pequenas pontes de madeira e sempre na presença do murmúrio das águas, assistiu-se a alguma confusão que, para aqueles que tinham mais espírito competitivo, foi uma enorme desilusão : as voltas estavam a sair repetidas, os da frente misturavam-se com  os do meio  e às tantas já ninguém sabia que rumo tomar, até que um elemento da organização, rompe uma das fitas balizadoras e dá uma indicação alternativa para que pudéssemos prosseguir. Passámos depois por um túnel escavado na rocha, que nos conduzia ao fundo do famoso Poço Iniciático, que ostentava o desenho de uma estrela octogonal e ao centro, um archote aceso a chamar a atenção. Subimos a escada em espiral contemplando os diversos nichos – cada um com o seu archote -  marcando os níveis . Chegados lá acima, continuámos a correr saindo dali. Penetrámos num trilho da Serra, por vezes enlameado, mas com um cheirinho a eucalipto agradável e penetrante que, a acreditar nos velhinhos xaropes caseiros que se fazia com estas folhas, certamente terá ajudado a “abrir” as vias respiratórias. Apetecia gritar : AR PURO!  Entrámos no alcatrão da Rampa da Pena, num pequeno troço comum ao GP Fim da Europa e depois, por uma pequena porta aberta numa espécie de contentor entrámos no Parque da Pena, onde, por diversas vezes encontrámos árvores caídas atravessadas no trilho. Ora saltávamos, ora passávamos por baixo, sempre atentos ao piso escorregadio que aqui e ali encontrávamos. Às tantas  estávamos a entrar no Castelo dos Mouros, que percorremos com atenção aos inúmeros degraus e às irregularidades do percurso, o que nos impedia de contemplar, de lá de cima, a vista enorme que dali se tinha : Uma espécie de firmamento terreno estrelado,  era o aspecto das terras planas que se estendem a norte da serra. Mas o momento não era para contemplações e havia que continuar.
Descemos, depois para S. Pedro e aí entrámos na zona urbana, onde já era possível correr até à meta instalada no Parque da Liberdade, no antigo ringue de patinagem, onde o chazinho quente e as bolachas Maria (seus malandros, anunciaram chazinho em chávena e bolachinhas recheadas e deram-nos chá em copo de plástico e bolacha Maria!!iol) estavam à nossa espera.
Soube há pouco que demorei  1,27,02 a fazer a Prova, ou melhor, a minha prova (pois aquela confusão na Quinta da Regaleira fez com que nem todos tenham feito o mesmo percurso) e classifiquei-me na 128ª posição da geral e 6º  do escalão M50.
Comentários: Foi uma excelente experiência em que apenas lamento a confusão na Quinta da Regaleira.  Permito-me apenas, fazer uma sugestão : Dado o volume de atletas, seria sempre de escolher um percurso inicial largo, durante cerca de 3Km para permitir que o pelotão “esticasse” de acordo com os andamentos de cada atleta. Só depois se poderia entrar naquelas ruas e escadas estreitinhas, por onde só pode passar um de cada vez. Por isso, não teria utilizado as escadas para o Rio do Porto, a pouco mais de 500 metros da partida. Havia a possibilidade de utilizar a estrada que passa junto aos Paços do Concelho e que também conduziriam à Escadinha do Hospital, onde uma nova “selecção” colocaria os atletas nas respectivas posições. O que se passou na Quinta da Regaleira, não passou de um acidente de percurso. Não nos esqueçamos que, numa prova desta natureza, quem vai à frente é tentado a seguir o caminho óbvio, quando, muitas vezes, é necessário “arrepiar caminho” estando sempre atento aos sinais reflectores. Se isso não acontece, os que vão atrás, confiam e seguem os passos de quem já vai enganado. Depois…acontece.
Sublinho, no entanto, que o espírito das provas de trilhos, não deve ser tão competitivo quanto as clássicas provas de estrada, mas sim participativo e de forma a que cada um, “saboreie” melhor o cenário envolvente, conhecendo sítios que, de outra forma jamais conheceria. Isso vale muito mais que chegar nos primeiros lugares.
Quando voltar a haver esta prova, estarei lá! AH…mas, por favor mudem-lhe o nome e escolham uma data mais primaveril. 
(ver se arranjo umas fotos...)

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

GP Fim da Europa em imagens

As imagens estão muito boas, embora o som das entrevistas esteja misturado com o som ambiente. Mas o importante é ver e sentir aquele ambiente cheio de misticismo que o nevoeiro acabou por intensificar.

www.lisboadesporto.tv (tenho pena mas não consigo pôr o link a funcionar, mas fica a informação para, querendo, poderem aceder por outra via)



segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

A "Lenda" dos Conjurados


... ou um Compromisso



Enjeitada pelo alcaide (por terem gasto com ela o que não havia para gastar) vagueava pela rua. Era impossível para quem passava, não reparar na sua extrema beleza, mesmo despida das roupagens que ostentou nos tempos da abastança. Andrajosa, mas linda (!) e tinha sempre um sorriso sedutor para os muitos pretendentes que se aproximavam dela e a quem ia contando a sua história de ascensão e de queda.


O pai já se tinha ido há muitos anos e, embora rodeada de gente amiga que sempre a soube estimar, vivia há algum tempo sob a alçada do alcaide do Monte da Lua que gostava dela, mas não era ela a preferida lá de casa. Para com ela, podia esperar-se dele o melhor, mas também o pior.


- Não posso continuar a sustentá-la! Os tempos estão difíceis e deixei de ter meios para o fazer. Mas também não reconheço a qualquer de vós, condições para casar com ela – dizia ele aos que ousavam pedir-lhe a mão da bela moira.


Eram muitos os que a queriam e ficaram inconformados com o destino que se adivinhava traçado à pobre donzela. Juntaram-se e, numa decisão pouco comum, resolveram:


- Não vamos apoderar-nos dela. Mas também não a vamos deixar morrer na rua à míngua, cair no esquecimento, ou ficar à espera que os tempos mudem. Vamos cuidar dela com o carinho que ela merece e que só nós lhe sabemos dar e deixar que ela fique rodeada pelos que lhe querem bem. Um dia, alguém há-de ver que esta foi a medida acertada e então, voltará para o seu castelo com a segurança que nunca dantes teve. E, ao contrário do que acontecerá a quem a tutela e a quem a ama, ela ficará imune às rugas do tempo. Esse cuidado é o nosso compromisso de honra, que aqui se regista.


Ano da Graça de 2012, aos 7 dias do mês de Janeiro.


Os Conjurados

domingo, 27 de janeiro de 2013

XXIII Grande Prémio Fim da Europa

 O Momento dos " Conjurados"
 O belo e a devastação
 Está quase...
Já está!


O tempo chegou a pôr em causa a segurança e a realização desta 23ª Edição do Grande Prémio Fim da Europa. Felizmente o pior não se confirmou e, embora o dia tenha amanhecido “manhoso”, lá nos concentrámos na Volta do Duche para, às 10h, treparmos a Serra e descê-la depois a ocidente, rumo ao Cabo da Roca.
Quando ia para levantar o dorsal, sou surpreendido com a informação que o meu dorsal seria entregue mais tarde, juntamente com mais alguns!
Então não é que a Organização decidiu que os dorsais de um a dez, fossem entregues ao  “Grupo dos Conjurados”, ou seja à malta que, face à notícia do cancelamento da edição de 2012, tudo fez para que, com ou sem prémios, com ou sem classificações, com ou sem tempos, fosse permitido àqueles que gostam da Serra de Sintra e da Corrida, que a Prova se fizesse oficialmente. E fez-se oficialmente, embora sob a forma de Treino que teve uma participação muito acima do esperado e provou que não seriam necessários grandes meios   para que ela se mantivesse no calendário. Mas, sobre este assunto, já foi falado o suficiente em Janeiro de 2012. Voltei a falar nisso para enquadrar o facto de termos sido chamados ao palco para recebermos da mão do Sr. Vice-Presidente da Câmara Municipal de Sintra, os dorsais com os primeiros  números. Sem sentirmos que tivéssemos feito algo de especial que merecesse tal reconhecimento, este gesto deixou em nós uma pontinha de vaidade principalmente por termos demonstrado que esta Prova é grande e não precisa de faustosos aparatos. E só não foi mais participada, porque, compreensivelmente,  foi limitado a mil o número de inscrições.
Quanto ao desenrolar da Corrida, apenas posso falar de como a vi e de como a fiz: subir com alguma prudência os primeiros quilómetros, descontrair na “crista da serra” para ter alguma força na temível subida dos 10Km e depois, descer alargando o passo até à Azoia e aguentar como pudesse, os últimos 3Km. 1h,26,40 -304ºclassificado e 10º do escalão. Foi este o meu resultado. É-nos entregue um crachá, passamos pela tenda da Gold Nutrition, onde o grande Vitor Gamito não tinha mãos a medir  para dar a todos um copo daquela deliciosa e retemperadora bebida; depois havia o chazinho quente e fruta. O que é que era preciso mais? Ir buscar o saco com roupa seca e apanhar um dos autocarros. O cerimonial da entrega dos prémios, o momento da consagração dos vencedores,  foi rápido  mas, compreensivelmente, teve pouca assistência.
Apenas um reparo: a entrega dos sacos dos atletas é que precisa de uma pequena” afinadela”. É que, por sorte, não estava muito vento nem chovia, pois ter dois voluntários em cada uma das 3 camionetas com 400 sacos para distribuir, parece-me insuficiente. Não tenho dúvidas que fizeram o seu melhor e quero até louvar o esforço e a paciência destes jovens para com a enorme pressão e comentários indelicados que por vezes ouviram.
Os autocarros para o regresso funcionaram na perfeição.
Posto isto, quero felicitar a Câmara Municipal de Sintra e todos os seus colaboradores envolvidos na Organização pelo excelente resultado obtido, e mostrar o meu sincero agrado por  ver que o Grande Prémio Fim da Europa continua firme e recomenda-se, pois dificilmente haverá corrida mais bela.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Acorda!!!

“-ACORDA Cidadão!!! O que é feito de ti, rapaz? Primeiro, vieste com a desculpa de que estavas doentinho. Mas depois do problema resolvido (obrigado, Xavier) continuaste mudo, como se nada do que se passasse à tua volta merecesse uma palavrinha tua, nem que fosse para dares um “Olá”, aos amigos que se habituaram a visitar este cantinho.


De facto, Cidadão, não te tens andado a portar bem. Bem sei que os atrasos começaram quando não tiveste tempo de fazer uma primeira croniqueta sobre a Meia da Vasco da Gama; depois veio a Maratona do Porto, mas como tinhas ficado com aquela atrasada, adiaste, adiaste. Logo a seguir, veio a Nazaré e as coisas começaram a ficar mais complicadas. Maratona de Lisboa; S, Silvestre de Lisboa e S. Silvestre dos Olivais.

No fundo, até fizeste umas corriditas, mas o teclado é que… tá quieto.

Oh Cidadão, não achas que está na altura de voltares aqui para o teu espaço (deixa-te lá de face book, onde perdes tempo e te dispersas com tantos assuntos) ?

Quando tiveres tempo e te apeteça, reporta-te ao período que silenciaste. Mas que isso não seja razão para aqui não vires. Nada te obriga a seguir a cronologia dos acontecimentos. Fala do que te apetecer.”

Assim falou a Voz e eu sei que tenho de lhe dar razão. Será desta que volto ?